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Consanguinidade: Bênção ou Maldição

consanguinidadeGerhard Stuber

A consanguinidade é um assunto delicado, que às vezes desperta emo­ções não muito agradáveis nos seres humanos. JAJAJAJAJAOs leigos associam imedia­tamente esta forma de reprodução ani­mal ao incesto. Esta aversão é justifi­cada pela inibição definitiva nos ma­míferos para o acasalamento entre pa­rentes, passada através das gerações.

O criador de pássaros tem então duas opiniões contraditórias sobre a consanguinidade. Por um lado, sempre se ouve e lê que um criador somente consegue a fixação de características desejáveis em seu plantel com o uso da consanguinidade, mas em contra­partida sempre há uma voz interna de advertência. Várias são as pessoas que aconselham os criadores a manterem-se afastados da consanguinidade, es­pecialmente se forem neófitos. Entre­tanto, vários também são os que pre­conizam o desenvolvimento de linhas de sangue com características fixadas, que facilitam o acasalamento dos pás­saros, pelos resultados facilmente pre­visíveis.

Neste artigo, vamos tentar externar algumas virtudes e problemas da con­sanguinidade, sem discutir teorias ci­entíficas complicadas que frequente­mente desestimulam a leitura sobre o assunto.

O QUE É CONSANGUINIDADE?

A consanguinidade é o acasala­mento entre indivíduos aparentados entre si, em maior ou menor grau. E um método de reprodução utilizado em animais e plantas, visando a fixação de determinadas características dese­jáveis.

Entre os vegetais, a maioria se re­produz inteira ou parcialmente através da auto-polinização, que é uma forma clássica de consanguinidade. Muitas espécies do mundo animal praticam a consanguinidade. Animais que vivem em uma ordem social mais elevada têm uma inibição natural à consanguinida­de estreita (acasalamento entre pais e filhos ou irmãos completos), mas cru-zam-se entre indivíduos relacionados. Entretanto, outros mecanismos assegu­ram que uma troca entre grupos dife­rentes ocorra, garantindo que um "san­gue novo" seja introduzido continua­mente.

O PAPEL DA CONSANGUINIDADE NA PRODUÇÃO DE AVES PARA CONCURSOS

As exposições de pássaros estive­ram muito ameaçadas após a Segunda Guerra Mundial, pois os plantéis foram quase totalmente perdidos. Na Ingla­terra, somente alguns pássaros sobre­viveram esta época e são os antepassa­dos de todos os exemplares existentes nos concursos de hoje. Este sucesso em recompor os plantéis somente foi pos­sível através da consanguinidade. Ou­tro exemplo importante que reforça o papel da consanguinidade é a fixação das novas mutações, todas originárias de um ou poucos exemplares. A evo­lução dos pássaros de exposição é e sempre foi um processo contínuo, que não pode ser alcançado sem a consan­guinidade.

Quando os primeiros exemplares de uma nova mutação chegam ao país, não há como não se praticar uma con­sanguinidade estreita, pois, devido ao número baixo dos pássaros disponí­veis, acabam tendo que ser cruzados com sua própria prole.

O efeito final da consanguinidade é uma uniformidade das característi­cas de um plantel. Quando um criador introduz em seu plantel uma nova cor ou raça, deve procurar adquirir exem­plares pertencentes a uma linhagem consanguínea já devidamente fixada para que, fazendo-se um cruzamento aberto (sem consanguinidade) com outros pássaros de igual característica, possa obter mais rapidamente resulta­dos consistentes. É uma utopia acredi­tar-se em bons resultados iniciando-se uma criação com os pássaros de ge­nética completamente diferentes.

Pelo exposto acima, é fácil perce­ber que é impossível produzir bons pássaros para concurso sem o uso da consanguinidade, cabendo ao criador controlar o grau de parentesco entre os reprodutores. Entretanto, deve manter um registro exato destes acasalamen­tos, para não se cometer erros na sua realização.

OS PERIGOS DA CONSANGUINIDADE

Até agora temos falado somente sobre a necessidade da consanguinida­de na produção de um campeão, mas é necessário também citar os seus riscos.

A consanguinidade estreita por várias gerações pode levar às seguintes con­sequências:

  • Redução da fertilidade;
  • Baixa resistência a influências climáticas e doenças;
  • Crescimento retardado;
  • Diminuição do tamanho;
  • Expectativa de vida mais curta.

Todos estes sintomas não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo, mas quanto maior o grau de consanguini­dade, mais frequentemente ocorrerão. Entretanto, estas características nega­tivas não têm que necessariamente ocorrer na maioria dos casos, estando dependentes da combinação de genes nos pássaros originais com os quais se iniciou um programa de consanguí­neos.

A comprovação dos efeitos nocivos da consanguinidade é facilmente vista na diferença existente entre canários criados há vinte anos atrás e os atuais, principalmente no que diz respeito à fertilidade, resistência às doenças e expectativa de vida. Isto traz-nos a um ponto muito importante, a pergunta de até onde se pode tolerar fertilidade e resistência a doenças baixas. Os cria­dores aceitam obviamente estas con­dições atuais dos pássaros de concur­so, mas durante quanto tempo conti­nuarão a fazê-lo? Certamente não ha­veria tal tolerância se as criações tives­sem objetivos comerciais!!!

Pela nossa experiência, entretanto, estes problemas não pioraram nos últi­mos 10 anos. Isto pode ter duas razões. Observa-se que linhagens de animais, depois que uma ascensão inicial dos efeitos adversos consequentes de diver­sas gerações de consanguinidade pró­xima, não sofrem nenhum agravamen­to dos mesmos. A segunda possibilida­de poderia ser que os criadores simples­mente aprenderam a conviver com esta situação. Acreditamos que se deva há um pouco de ambos os fatores.

CONTRAPARTIDA: SELEÇÃO

Qualquer tipo de consanguinidade será bastante negativa se não houver uma contrapartida, a seleção. Neste sentido, há uma diferença decisiva en­tre o que acorrena natureza e em nos­sos canários. Na natureza, o processo de seleção começa simultaneamente em todas as partes do corpo, com to­das suas características físicas, meta­bólicas, fisiológicas e comportamen­tais. Se alguma alteração decisiva ocor­re em alguma destas áreas que possa ter um efeito negativo no organismo como um todo, este indivíduo se torna uma vítima fatal do processo de sele­ção, isto é, é incapaz de se reproduzir e consequentemente não passa carac­terísticas negativas à sua prole.

Assim, o processo de seleção asse­gura a força para a sobrevivência da espécie. Na avicultura ornamental, o homem faz o papel de selecionador, isto é, seleciona determinadas caracte­rísticas e tenta mudá-las estes de acor­do com seu conceito da beleza. Junto à seleção de características desejáveis, sempre aparecem também algumas negativas. Por exemplo, nós temos to­lerado até agora a redução da fertilida­de em nossos pássaros, podendo-se quase dizer que praticamos uma sele­ção negativa.

Esta redução na fertilidade deve ser, na medida do possível, combati­da. Aconselha-se a retirada do plantelde indivíduos com pouco vigor repro­dutivo cujos pais já demonstravam os mesmos sintomas.

UM OUTRO EXEMPLO

Um número relativamente elevado de doenças infecciosas ocorre em uma determinada linhagem de um criador. Os pássaros aparecem tristes, sem ape­tite e estão constantemente em muda de penas. Entretanto, como esta linha­gem em particular produz as melhores aves para concurso, o criador inexpe­riente administrará medicamentos na tentativa de preparar ao menos um daqueles pássaros para a exposição.

Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, que mostram o dilema en­tre o obter boas aves para concursos ou pássaros saudáveis.

CONCLUSÕES

Os bons pássaros de concurso são quase sempre frutos de cruzamentos consanguíneos. Consideramos que os danos causados por este sistema de acasalamentos ainda são toleráveis na atualidade, pois pelo menos ainda não colocam em perigo a sobrevivência das aves de concurso. O problema atual encontra-se não na prática da consan­guinidade, mas na falta de seleção ade­quada de seus produtos. A maioria dos sinais de perda de vitalidade produzi­dos pela consanguinidade não tem ne­nhuma influência na qualidade de um canário durante o julgamento. O fato de que somente uma seleção estrita fornecerá a contrapartida aos malefí­cios da consanguinidade deve ser le­vado a sério pelo criador. A seleção estrita é, portanto, a única medida pre­ventiva para se evitar a degeneração dos plantéis. Aparte da seleção, um método de consanguinidade menos "fe­chada", evitando-se o acasalamento entre parentes próximos, também apre­senta resultados animadores.

CONSELHO PARA CRIADORES INICIANTES

  • Não se preocupe com a consan­guinidade. Observe a seguinte regra: Evite sempre que possível a consangui­nidade estreita (por exemplo, o retrocruzamento da prole com seus pais ou o cruzamento entre irmão com­pletos ou meio-irmãos). Tente acasalar seus pássaros dentro de uma mesma família, mas com relacionamentos mais distantes, como por exemplo, primos ou similares;
  • A certeza sobre o parentesco de um casal só pode ser assegurada a partir da manutenção de um regis­tro acurado da genealogia de cada pássaro;
  • Seja extremamente crítico em julgar seus pássaros e conheça bem todos os sinais negativos da consan­guinidade. Realize a seleção estrita e evite tentativas desesperadas de re­produzir pássaros fracos. Fique aten­to ao estado de saúde de seus canári­os. Não tente conservar pássaros se­riamente doentes por meio da ajuda medicamentosa, a fim continuar pro­duzindo com eles;
  • Não atribua a seus pássaros a res­ponsabilidade por fracassos que ocor­ram. Lembre-se que provavelmente VOCÊ fez algo errado!!!

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